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Federação das Industrias do Estado do Piauí

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terça-feira, 28 de março de 2017

Alvo do Caso Odebrecht na Guatemala está foragido

Protesto na Guatemala

Divulgação / Codeca
Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba
Três meses depois de a Odebrecht revelar ter pago propinas em 11 países além do Brasil, os efeitos já são bem visíveis – na forma de prisões e acordos judiciais – em vários deles, mas em poucos o roteiro é tão mirabolante quanto na Guatemala.
No país de 16 milhões de habitantes, ao sul do México, eis os principais suspeitos do Caso Odebrecht: o ex-presidente Otto Molina, que renunciou e está preso, seu ex- -ministro Alejandro Sinibaldi, foragido em lugar desconhecido – o que não o impede de se defender pelo Twitter – e mais de 100 deputados. Um rol de dar inveja à ‘Lista de Janot’.
As investigações estão no início, mas as autoridades já desconfiavam da Odebrecht antes que se revelasse, no final de 2016, que a empreiteira pagou US$ 18 milhões em propinas na Guatemala.
A Odebrecht chegou à Guatemala em 2012, conquistou apenas um contrato – a revitalização de uma estrada – e pagou as propinas de 2013 a 2015. Nenhum país teve crimes da construtora em um tempo tão curto e com um histórico tão recente.
Há investigações contra a Odebrecht na Guatemala desde agosto de 2016, mas o Ministério Público local não é dos mais transparentes.
Em protesto contra a falta de respostas e aos gritos de “ladrões” e “sem-vergonhas”, mais de 10 mil pessoas marcharam pela capital no dia 7 de março. Em um país onde metade do povo vive na zona rural, o ato foi convocado por camponeses, e os cartazes contra a corrupção se misturavam aos que pediam medidas como a reforma agrária.
“O governo prometeu corrupção zero, mas não cumpriu. Mentiram para nós”, diz o agricultor Romulo Cruz Ló- pez, do Codeca (Comitê de Desenvolvimento Campesino), que liderou o protesto.
Apesar de o atual presidente, Jimmy Morales, também ser alvo da ira dos manifestantes, dois analistas ouvidos pelo Metro Jornal consideram que ele esteja “limpo” no caso Odebrecht.
Quem deverá se enrolar é o ex-presidente Molina. Toda a propina foi paga no governo dele, que começou em 2012 e terminou em 2015, de forma melancólica: em 3 de setembro daquele ano, ele se apresentou à polícia para ser preso, um dia após renunciar. Ele e a vice, Roxana Baldetti, são acusados de liderar um esquema de corrupção na arrecadação de impostos.
Mas o nome mais visível da Lava Jato na Guatemala é Alejandro Sinibaldi, ex-ministro de Comunicações, Infraestrutura e Moradia (uma pasta tripla). Vários indícios apontam que ele foi o destinatário, pelo menos inicial, de US$ 11,5 milhões.
Sua história foi ainda mais incrível do que a de Molina. Em 2015, ele desistiu da candidatura à presidência durante a campanha. Um ano depois, em junho de 2016, foi emitido um mandado de prisão contra ele – que figura em quatro denúncias de corrupção – mas já era tarde: havia saído do país e desde então está foragido, e não se sabe onde. Os palpites de repórteres ouvidos pelo Metro Jornal são Itália e Miami (EUA).
Mesmo procurado, Sinibaldi não deixou de se pronunciar. No final de janeiro, escreveu em seu Twitter que as autoridades violam sua presunção de inocência ao “politizar, midiatizar, julgar e sentenciar” os casos.
E por que não rastreiam o computador e descobrem o paradeiro dele? “Isso foi perguntado, mas ninguém deu uma resposta a respeito”, diz Jessica Gramajo, repórter do jornal Prensa Libre.



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