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terça-feira, 28 de março de 2017

Ligação de donos de postos com morte de fiscal é investigada

Portal do Paraná - Narley Resende
Postos
O Departamento de Inteligência do Estado do Paraná (Diep), responsável pela Operação Pane Seca, que prendeu no último sábado (25) seis pessoas por fraudes em postos de combustíveis na Grande Curitiba, investiga se há ligação entre a atuação de quadrilhas que fraudavam bombas em postos com a execução de Fabrizzio Machado da Silva, 34 anos, na última quinta-feira (23). Ele era presidente da Associação Brasileira de Combate a Fraudes de Combustíveis e conhecido pelo rigor nas fiscalizações.
Extraoficialmente, policiais civis consideram que a execução do fiscal ocorreu por causa da atuação dele na profissão. O secretário de Segurança do Paraná, Wagner Mesquita, também não descarta que a ligação.
“Não se pode de forma nenhuma desconsiderar eventual vínculo, e algo que é mais provável, da morte do fiscal Fabrizzio com a atividade que ele exercia na associação. Ainda é cedo para dizer se havia algum vínculo, se existe relação, com a condução da operação Pane Seca. Isso está sendo tratado com prioridade tanto pelos órgãos de inteligência quanto pela equipe da DHPP (Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa)”, afirmou o secretário.
O fiscal foi assassinado com tiros no rosto quando chegava em casa, no bairro Capão da Imbuia, em Curitiba. Ele entrava na garagem da residência, por volta das 22 horas, quando um carro bateu contra a traseira do veículo dele. Ao descer, Fabrizzio foi executado e morreu na hora. O atirador fugiu em marcha ré. Toda a ação foi registrada por câmeras de vigilância.
Foto: arquivo pessoal
Fabrizzio Machado. Foto: arquivo pessoal
Fabrizzio trabalhou em operações de fiscalização que fecharam postos de combustíveis nos últimos meses e também havia participado de ações da Aifu (Ação Integrada de Fiscalização Urbana), que interditou e multou diversos bares e postos de combustíveis em Curitiba.
Operação Pane Seca
Com base em informações fornecidas pela Associação Brasileira de Combate a Fraudes de Combustíveis ao Ministério Público, seis pessoas foram presas no sábado (25) suspeitas de integrar duas quadrilhas que fraudavam a quantidade de combustível que sai de das bombas. Outras seis pessoas estão foragidas e estão sendo procuradas pela Polícia Civil do Paraná.
Nove postos foram interditados por determinação da Justiça – seis em Curitiba, um em São José dos Pinhais e outro em Colombo, na região metropolitana.
De acordo com a polícia, há indícios de que a organização criminosa esteja se expandindo para outros Estados, como São Paulo e Santa Catarina.
Durante o cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão, os policiais do Diep encontraram diversas placas de bombas que eram usadas para a fraude, além de mais de R$ 800 mil em cheque e R$ 1,5 mil em espécie, computadores e pendrives, além de propostas de transações de bens que totalizam R$ 60 milhões.
Investigação
A investigação teve início a partir de requisição da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor, do Ministério Público do Paraná, que recebeu informações da Associação Brasileira de Combate a Fraudes de Combustíveis, denunciando que alguns postos de combustíveis estariam fraudando a quantidade de combustível no momento do abastecimento.
Para a fraude funcionar eram instalados dispositivos eletrônicos nas bombas que interrompiam o fluxo de combustível efetivamente expelido, sem que houvesse interrupção na medição do painel. Segundo a polícia, o dispositivo permite que o mecanismo seja ativado remotamente. Assim, era possível escolher o momento mais propício para o acionamento – o que também dificulta a atuação dos órgãos fiscalizadores.
O Diep estima que de 6% até 8% do abastecimento não entrava no tanque 50 litros, de fato só entraria 46. Imaginando o litro da gasolina por R$ 3,29, o consumidor era lesado em R$ 13,16, além de ter menos combustível no tanque. Se o posto efetuasse cem abastecimentos por dia o valor furtado passaria de R$ 1 mil por dia.
Quadrilhas
De acordo com o Diep, uma quadrilha era chefiada por Eugenio Rosa da Silva e o filho Genisson Rosa. Eugênio foi preso na noite de sexta-feira (24) no Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, quando desembarcava de um avião. Genisson está foragido.
Os dois são donos de três postos de combustíveis e da churrascaria Boi Dourado. Segundo a polícia, o local, na Avenida das Torres em Curitiba, era usado para os negócios da quadrilha.
A outra organização criminosa investigada, segundo o Diep, atuava com outros quatro postos de combustíveis, todos pertencentes a Onildo Cordova II, que permanece foragido. Em um dos postos também foi encontrada, durante a operação, quantidade de álcool misturado à gasolina superior ao permitido em lei, chegando ao patamar próximo de 70%.
Entre os alvos da ação policial do Diep estão empresas que prestavam serviços de manutenção aos postos de combustíveis que cometiam as fraudes.
Os seis presos foram levados para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), unidade de elite da Polícia Civil do Paraná, e depois foram transferidos para a Casa de Custódia de Piraquara (CCP). A prisão é temporária por cinco dias.
Postos lacrados por determinação judicial:
Curitiba:
Posto Master Tingui

Posto Varejista Itaipu
Posto Karwell Petroleo e Participações Ltda
Posto GRC Comércio de Combustíveis
Posto JPS
Auto Posto Midas Uberaba

São José dos Pinhais:
Posto Via Aeroporto
Colombo:
Posto Comércio de Combutíveis RUBI

Posto Comércio de Combustíveis Colina
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