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Federação das Industrias do Estado do Piauí

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sexta-feira, 7 de setembro de 2018

O ataque contra Bolsonaro e os impactos na campanha eleitoral. Quem ganha e quem perde

Imprensa Viva

Ainda é prematuro avaliar que tipo de impacto terá na campanha eleitoral o atendado sofrido pelo candidato do PSL à presidência, Jair Bolsonaro  na tarde desta quinta-feira (6) em Juiz de Fora (MG). Durante ato de campanha na cidade mineira, o candidato era carregado nos ombros por apoiadores quando um homem se aproximou e desferiu-lhe um golpe de faca na barriga. O agressor foi preso, mas o assunto causou grande comoção nas redes sociais e tomou conta do noticiário durante o resto do dia.

As conclusões iniciais que podem ser extraídas deste episódio são as de que houve um fortalecimento nas convicções dos simpatizantes de Bolsonaro, mas ainda não foi possível determinar de que forma a campanha do candidato irá abordar o fato. Entre os mais exaltados, há uma forte tendência de acirramento dos ânimos contra simpatizantes da esquerda, sobretudo nas redes sociais. Neste sentido, o triste episódio não deve contribuir em nada para o debate político, ficando cada lado isolado com suas convicções. Obviamente, os candidatos que orbitam a candidatura de Bolsonaro vão tentar se capitalizar com o ataque, elevando o tom beligerante da campanha e visando maior visibilidade na imprensa nestes dias que antecedem a votação de outubro.

A campanha de Bolsonaro, no entanto, deve avaliar com mais cautela a situação. Nota-se nas redes sociais que a reação ao ataque sofrido pelo político gerou reflexões mais profundas sobre as possíveis consequências de posicionamentos extremistas adotados pelos dois polos do espectro ideológico das forças antagônicas que disputam a hegemonia política do país. A polarização entre os eleitores, que já era acentuada, pode aumentar com a exploração política do ataque.

É justamente neste intervalo que se insere o eleitor indeciso, o mais disputado nesta reta final de campanha. A avaliação é a de que boa parte destes eleitores possam ver com mais clareza que o extremismo de ambos os lados pode sim levar ao radicalismo. A repercussão do ataque contra o candidato deve gerar uma série de reflexões entre o eleitorado. Para o bem ou para o mal, dependendo do ponto de vista.

Se por um lado, a postura beligerante de Bolsonaro e de seus apoiadores representava uma característica marcante, fortalecida pela perspectiva das campanhas de desconstrução do candidato nas propagandas na TV veiculada por seus adversários, o atentado pode ser compreendido por uma grande fatia do eleitorado como uma consequência de extremismos do candidato, que chegou a falar no Acre em metralhar petralhas e expulsá-los para a Venezuela.

Vários integrantes do PT também já protagonizaram episódios vergonhosos de estímulo ao ódio entre cidadãos brasileiros. Muitos deram declarações públicas pregando a violência e a intolerância contra opositores. Em um episódio ainda não esclarecido, um dos ônibus que levava parte da comitiva do ex-presidente Lula no Rio Grande do Sul foi alvo de tiros. O PT tentou usar o episódio para acirrar animosidades e atrair a simpatia de eleitores, mas a estratégia não funcionou. Não há dúvida de que a maior parte da sociedade repudia a adoção de qualquer tipo de incitação à violência no debate político, ao melhor estilo "nós contra eles" promovido pelo ex-presidente Lula ao longo de décadas.

Não apenas quanto ao processo civilizatório, mas também sob o ponto de vista Democrático, a radicalização pode representar um atalho perigoso para a ruptura de tudo aquilo que o país tenta consolidar ao longo das últimas décadas. Nem todo cidadão se encontra inserido neste caldeirão de descontentamento exacerbado pela interferência de setores obscuros interessados em manipular o processo eleitoral. Há o eleitor pacato, o informado, o cauteloso, o cético, enfim. De modo geral, os que mais perdem a simpatia do eleitorado são os setores da esquerda.

"E um atentado desse é a maior expressão de anti-política... é um gesto que teria que nos obrigar a pensar, não só a política no Brasil, mas o estado enfermo da nossa sociedade.", observou o jornalista William Waack sobre o episódio.

Ainda em análise extremamente prematura, é possível supor que, sob o ponto de vista político, ninguém ganhou ou perdeu com o atentado vergonhoso sofrido pelo candidato, exceto a Democracia. Em solidariedade ao candidato, praticamente todos os adversários manifestaram repúdio contra o ataque e cancelaram suas agendas de campanha.
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